Responsável:
João e Murilo Cardoso de Castro

Dedução

Operação mediante a qual se conclui rigorosamente, de uma ou de várias proposições tomadas como premissas, uma proposição que é sua consequência necessária, em virtude de regras lógicas. [...]

Não é exato definir a dedução como o raciocínio que vai «do geral ao particular», quer se entenda por esta fórmula equívoca e corrente: «do universal ao particular», quer se entenda: «do mais geral ao mais especial.» Isto é verdadeiro no primeiro sentido: Barbara, Celarent, Cesare, etc., são apenas formados por universais; além disso, a dedução pode consistir em concluir da falsidade de uma particular a falsidade da universal correspondente, ou da verdade de uma particular a falsidade da universal contraditória; finalmente, nas operações lógicas elementares diversas do silogismo (tais como, por exemplo, a ⊃ b, a ⊃ c. ⊃ .a ⊃ bc) não há qualquer particularidade, no sentido preciso que tem esta palavra em lógica; o mesmo sucede em todos os cálculos aritméticos ou algébricos.

Pode também observar-se que aquela concepção da dedução não tem sentido na lógica proposicional propriamente dita, que toma os juízos em bloco (p, q, r ...) e apenas considera o seu valor de verdade ou de falsidade, não a sua quantidade; por exemplo, num silogismo hipotético p ⊃ q. q ⊃ r. ⊃ p ⊃ r.

Se se trata de passar do mais geral para o mais especial, observe-se que o método matemático, tipo indisputado de dedução, quer nas suas operações elementares, quer na sua marcha geral, se eleva frequentemente do mais especial ao mais geral, por exemplo quando se «generaliza» uma propriedade, ou uma demonstração, assente primeiramente para um caso privilegiado, quer dizer, quando dele tiramos, mediante um raciocínio rigoroso, a fórmula geral de que era um caso especial. É bem sabido que os progressos de uma ciência dedutiva consistem muitas vezes em construir conceitos cada vez mais gerais que conservam as propriedades de classes mais especiais pelas quais começaram (por exemplo, os números inteiros, fraccionários, qualificados, irracionais, etc.). A ideia verdadeira que se contém confusamente na fórmula contrária é, sem dúvida, que a passagem de uma regra às suas aplicações, de uma variável aos seus valores, é uma das operações fundamentais do raciocínio dedutivo.

André Lalande (philosophe), Vocabulaire Technique et Critique de la Philosophie, 7.a ed., 1956, pp. 204-205.